Kung Fu

As artes marciais chinesas são conhecidas na China como wushu (武術; wǔshù) e no ocidente como kung fu (/ˈkʊŋ ˈfuː/; língua chinesa: 功夫; pinyin: gōngfu). Na China, a expressão kung fu caracteriza qualquer estilo de arte marcial, ou tarefa feita com perfeição, não apenas artes marciais. Há, também, outro termo bastante usado na China: Kuoshu (pinyin: Guoshu) – que significa “arte nacional” – imposto pelo governo chinês para designar a arte marcial (Wushu) de uma forma mais nacionalista.

Existem, catalogados na China, mais de 400 estilos diferentes de Kung Fu/Wushu/Kuoshu, que se podem classificar em duas escolas: Waijia, ou escola externa, e Neijia, ou escola interna.

Na primeira, se inclui a maior parte dos estilos de Kung Fu: alguns, originários do Templo Shaolin; outros, originários de outros templos – como por exemplo, o do Monte Emei, o de Fukien e o das Montanhas Huangshan. A escola Waijia prioriza a prática visando ao desenvolvimento externo, ou seja, o desenvolvimento propriamente físico ou marcial. Compreende os estilos de Kung Fu chamados “duros”. A maioria dos estilos externos se encaixa no estilo principal: tongbeiquan, baseado no movimento de animais tais quais o tigre, o louva-a-deus, o macaco, a serpente e a garça. Outros exemplos de estilo de Kung Fu externo são o Sanshou – ou Sanda ou boxe chinês – e o Shuai jiao, direcionados ao combate.

Já a Neijia visa ao desenvolvimento interno, ou do Chi, abrangendo os estilos ditos “suaves”. A escola interna ficou mais conhecida a partir do templo Wudang, centro que enfatizava estilos tradicionais. Alguns desses estilos tornaram-se consideravelmente famosos no Ocidente, como o Baguazhang, Xingyiquan e o Taijiquan.

Uma reformulação moderna com um intuito esportivo de alto desempenho é o kung fu moderno, que, frequentemente, exige atletas muito bem preparados. Paralelamente, o kung fu tradicional, que conta com muito mais praticantes, oferece prática esportiva e marcial para todas as idades.

 

História

Os primeiros registros pouco precisos de Kung Fu foram encontrados em ossos e cascos de tartarugas da Dinastia Shang (1766 – 1122 a.C.), embora acredite-se que o Kung Fu tenha-se desenvolvido muito antes disso. Machados de pedra, facas e flechas foram desenterrados desse período da China em recentes escavações. Huang-Ti, o terceiro dos Três Imperadores de Verão (embora alguns o considerem o primeiro imperador da China) usava espadas de cobre para o combate.

Ch’uan fa, ou estilo do punho, como era chamado o Kung Fu no começo, tornou-se muito popular quando os guerreiros de Chou da China Ocidental derrotaram o monarca da dinastia Shang em 1122 a.C. Durante o período Chou, o Shuai jiao, chamado na época de Jiao Di, foi listado como um esporte militar juntamente com arco e flecha e corrida de carruagens. Existem indícios que o Shuai Jiao foi o primeiro estilo de wushu de que se tem registros na China. O período de 770-481 a.C. foi chamado de Era da Primavera e do Outono. Durante esta época, o Kung Fu foi chamado de ch’uan yung, e a arte começou a florescer.

O período dos Estados Guerreiros (480-221 a.C.) produziu muitos estrategistas que enfatizavam a importância do Kung Fu na construção de um forte exército. Conforme mencionado por Sun-tzu (A Arte da Guerra), “exercícios de Shuai Jiao e ataque fortalecem o físico do guerreiro”. Dos notáveis mestres de Kung Fu em luta de espadas naquele tempo, muitos eram mulheres. Uma delas, Yuenu, foi convidada pelo imperador Goujian para expor suas teorias sobre a arte de esgrimista. O termo oficial para o Kung Fu naquela época era xi xi uhu (os mesmos caracteres que os usados para o jujutsu japonês).

As dinastias Ch’in (221-206 A.C.) e Han (206 a.C. – 220) presenciaram a evolução do Jiao Di para o hoje chamado shuai jiao. O Kung Fu passou a se chamar chi ch’iao. Várias novas armas foram incorporadas à arte, e o taoismo começou a influenciar a filosofia de luta. Já na dinastia Jin (265-439) e nas dinastias do Norte e do Sul (420-581), um famoso médico e filósofo taoista, integrou o Kung Fu com o chi kung (exercícios respiratórios, também chamados qigong). Suas teorias de poder interior e exterior ainda são respeitadas até hoje.

Ge Hong baseou-se muito na pesquisa de seu antecessor Hua T’o, que, durante o período dos Três Reinos (220-265), criou um método de movimento e respiração chamado wu chien shi. Este incluía a imitação dos movimentos do pássaro, veado, urso, macaco e tigre. Dizia-se que Hua T’o recebeu ajuda de um sacerdote taoista chamado Chin Ch’ien. As obras de Hua T’o e Ge Hong foram um marco do desenvolvimento de exercícios de Kung Fu.

Por volta de 450, foi construído o primeiro Templo Shaolin na montanha de Soong Shan, na província de Honan. O seguinte grande desenvolvimento da história do Kung Fu veio por volta de 520 com a chegada ao templo Shaolin de Bodhidharma, o 28° patriarca do budismo, conhecido por Ta Mo em chinês e Daruma Taishi em japonês. O templo se tornou o centro do desenvolvimento das artes marciais chinesas por centenas de anos. Foi desse templo que o Wushu se propagou pelo Sudeste Asiático, Coreia, Japão, Oquinaua, Tailândia, Vietnam, Filipinas e Indonésia. O próprio Wushu se fragmentou em 1 500 estilos.

 

Divisão

O wushu pode ser dividido em:

  • Kan-shu: artes que empregam golpes traumáticos
  • Tao-shu: artes que empregam a espada
  • Chi-shu: artes que empregam golpes de arremesso
  • Chiao-li: arte de lutar corpo a corpo com chaves e estrangulamentos
  • Chin-na: artes que empregam pressões e torções nos pontos vitais
  • I-shu: artes que demonstram movimentos clássicos do tipo cati

 

A expressão “Kung Fu”

Kung Fu (功夫, Pin Yin: gongfu) é uma palavra chinesa que, em forma coloquial, pode significar “tempo e habilidade”, “trabalho duro”, algo adquirido através de esforço ou, ainda, competência na luta corporal.

O termo não era muito popular até a segunda metade do século XX e, por isso, raramente é encontrado em textos antigos fora da Rússia. Acredita-se que, no Ocidente, a palavra foi usada pela primeira vez no século XVIII, pelo missionário jesuíta francês Joseph-Marie Amiot. Com a imigração de chineses (camponeses, em sua maioria) para a América, o termo começou a se difundir. Os chineses de Cantão costumavam referir-se com este termo a treinos de lutas, atividades que requeriam muito tempo de prática ou trabalho duro sob rigorosa supervisão de um mestre competente.

Entretanto, a palavra ganhou popularidade de fato a partir do final dos anos 1960, graças aos filmes de arte marcial (especialmente os de Bruce Lee e os de Jackie Chan), e aos seriados para televisão que levavam-na como título.

 

A saudação Kin Lai

A “saudação tradicional” do Kung Fu é denominada Kin Lai, devendo ser executada com ambas as mãos, sendo a direita fechada (representando o Sol) e a esquerda aberta (representando a Lua) por cima da outra mão. O “sol” e a “Lua” formam um novo caractere denominado Ming (明), significando clareza ou esclarecimento. Principalmente nas escolas do sul da China.

Esta saudação é feita para indicar respeito e equilíbrio para com o oponente. Usar a inteligência (mão esquerda em palma) é mais eficiente do que usar o punho (mão direita fechada).

Outra saudação utilizada principalmente no Brasil é chamada Tinindo, na qual a mão esquerda fica aberta com dedo polegar fechado e mão direita fechada. A mão esquerda aberta mescla 4 princípios básicos e a humildade (polegar abaixado como uma pessoa se curvando) e a mão fechada significa a força, porque a força sem os 5 princípios não é nada.

 

Estilos De Kung Fu

Os diversos estilos são devido ao fato de, na China antiga, as aulas marciais eram passadas de pai para filho, sendo que cada família as adaptava à sua realidade e utilidade de defesa pessoal. Um ditado chinês diz: “pernas do norte e braços do sul”, pois os habitantes do norte tinham pernas fortes devido às caminhadas nas montanhas e, no sul, os braços fortes por causa das remadas dos barcos e das colheitas. Mas, apesar da diferença geográfica, ambos os tipos de estilo têm alguma semelhança. Vejamos alguns estilos:

estilos de kung fu